sábado, 8 de março de 2014

BABY SCREAM – Greatest Failures (Eternal Sunday, 2013)

A ironia contida no título – Grandes Fracassos - revela uma ponta de desilusão do seu criador, e isso fica bem claro também para o ouvinte, após a audição desta coleção de canções. 

O enigma floresce a cada faixa. A beleza poética, a sensibilidade melódica e o capricho no acabamento das músicas, remetem a questão inevitável: - Onde está o fracasso?

Greatest Failures” resume oito anos das andanças de Juan Pablo Mazzola – o Baby Scream de carne, osso e voz – pela sua terra natal (Argentina), pela Europa e pelos Estados Unidos. 

As aventuras e desventuras são narradas (em inglês) pelo cantor/compositor solitário e emolduradas pelo próprio com incrível perspicácia. Sua paixão pelo Rock Clássico e o talento de colocar isso para fora, fez o rapaz - nascido bem distante de Lennon e Alex Chilton - romper fronteiras.

Os “gritos do bebê” começam com a rebeldia e a urgência de “Slut”, a tristeza bela de “Mars”, escrita durante a luta impotente de se salvar uma vida, justamente daquele que te trouxe ao mundo. Em “Away” uma longa introdução te segura para lhe levar ao paraíso, é seguida pela franqueza de “Every Day (I Die a Little Bit)” à calmaria de “Ups and Downs”, a la Simon & Garfunkel. Na sequência uma trinca mágica: “The Riot”, “Morning Light” (inspirada em The Faces) e a ode “Nicole”.

A segunda metade do disco segue com “Ojos Orientales” canção um tanto menosprezada – inclusive pelo seu criador - que Juan resgata e dá vida, por acaso, a única que não foi composta por ele. Traz o Power Pop puro de “Exile”, a amargurada “The Ghost of Valery” (com participação do Jellyfish Eric Dover), a psicodelia disfarçada de “Hit & Run”, o Country Rock setentista de “Secret Place” e encerra com a maturidade e a elegância da recente “Aching Eyes”.

Esta obra é mais uma prova, de que sucesso comercial e qualidade muitas vezes não caminham lado a lado.

Ouça: Mars

DISCOGRAFIA OFICIAL

Álbuns:

Monsters (2007, Beyond Your Mind Records, Germany) * EP c/ 7 músicas


Ups and Downs (2009, Recorded Recordings Records, USA)


Identity Theft (2010, Recorded Recordings Records, USA) * EP c/ 7 músicas

Baby Scream (2010, OK! Records, UK)
Baby Scream - Special Extended Edition (2012, OK! Records, UK)

Secret Place (2011, Eternal Sunday Records, Argentina)



Coletâneas:


Lost Balloons (2012, Eternal Sunday Records, Argentina) * demos, covers e etc.

Greatest Failures (2013, Eternal Sunday Records, Argentina)


Singles::

The Riots (2008, Tour Single)
Ojos Orientales (2009, Digital Single)

Hit and Run (2011, Eternal Sunday Records, Argentina)


Xmas Tree (All Pain Is Left Behind) (2013, Digital Single)



** Para ouvir todos estes itens acesse: http://babyscream.bandcamp.com/music

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Juan Pablo Mazzola no Brasil

Dezembro de 2013 pode ser considerada a data em que o Power Pop da geração 2000 esteve pela primeira vez no Brasil, em carne e osso, genuíno, no melhor estilo. Mas como os amantes do estilo estão cansados de saber, o Power Pop merecia muito mais.

Um artista como Juan Pablo Mazzola e seu projeto Baby Scream, são dignos de receber o reconhecimento do grande público, de ter suas canções expostas na mídia, como a "música" que é cuspida e bombardeada aos nossos ouvidos diariamente.

Estou indo para o Brasil, vamos nos encontrar ?

Assim começou a saga de JPM por aqui. Dois dias depois lhe perguntei se ele gostaria de tocar na sua estada. A resposta foi positiva, então iniciei alguns contatos.

O encontro foi em São Paulo. Saí de Santos e Juan de Buenos Aires, o destino: Sensorial. Um belo espaço cultural. LPs importados escolhidos a dedo, cervejas artesanais do mundo inteiro, e claro, apresentações musicais de muito bom gosto. Logo de cara um presente: o CD "Greatest Failures", uma compilação com o melhor de seus álbuns e EPs.

O lugar era perfeito para o garoto argentino, que percorreu a Europa compondo, cantando e criando melodias magníficas, com seu inglês perfeito. Como deve ser interpretado o rock !!! Na passagem de som, equalizando a voz e o violão escrito Peace, os olhares dos clientes, dos donos, dos funcionários e deste que vos escreve, se voltaram para o artista. Os ouvidos ? Ahhh, estes ficaram aguçados. E a mente... ansiosa com o que estava por vir.

Antes, tive o prazer de colocar um punhado de canções, Gingersol, Replacements, Jellyfish, Teenage Fanclub, entre outros, dando uma pequena pitada na atmosfera que já estava densa. Juan entrou em ação despejando de uma vez, uma série gemas pop, todas de sua autoria, deixando a platéia anestesiada. Não satisfeito, inseriu versões de clássicos como "Thirteen" (Big Star), "Skyway" (Replacements), "The Concept" (Teenage Fanclub) e "I Shall Be Released" (Dylan) e "Working Class Hero" (Lennon).


Seguimos para Santos, onde no dia seguinte estavam marcadas mais duas apresentações. A tarde, uma passagem na Blaster Discos, reduto roqueiro da cidade. Foi ali, outro momento mágico, a gravação de um take para a TV Tribuna. Juan e seu violão colocam para fora a melancólica "Mars", que fala sobre a morte de seu pai. No final, o espanto do cinegrafista: "Você canta bem, hein garoto !!!"

Poucas horas depois, o Power Pop estava perto da Praça Independência, na Realejo Livraria, acessível à quem estivesse circulando pela calçada. Olhares atentos, pressa perdida, e ao final, uma garota de uns 13 anos se aproxima com a mãe ao lado, me procura e fala: "Quero o cd do rapaz". Mais uma alma salva !!!


A maratona seguiu para o Clube Internacional de Regatas. Novamente o som rolando à espera do singer/songwriter, o clima não podia ser outro, Power Pop. Cheap Trick e Badfinger nas caixas. Juan entra e novamente despeja numa tacada: "Mars", "Suddenly", "Morning Light" , "The Riot", "Away", "Nicole", entre outras delicias. As covers ? Sim, elas estiveram presentes. E Juan somou mais alguns fãs.


Quem viu, viu... quem viver verá.

Sim !!! O grito do bebê vai continuar ecoando.

Ano que vem Juan estará aqui.

domingo, 17 de novembro de 2013

As fitas cassetes sobrevivem

Interessante a matéria de hoje do jornal Folha de SP, sobre um ex-detento que abriu uma loja online - similar a Amazon - especialmente voltada para a população carcerária do Estado de Nova York.

A Sendapackage.com oferece produtos permitidos pela lei, dentre várias regras, uma chama a atenção. Não é permitida a entrada de CDs, pois podem ser quebrados e transformados em arma, o único formato que o regulamento permite é a fita cassete.

Como as fitas pararam de ser fabricadas, o dono Chris Barrett, conseguiu convencer a gravadora Universal a produzir uma série limitada de cassetes. Os estilos: R&B e Hip-Hop.

Por coincidência, outro dia postei que as fitas cassetes tinham morrido, mas na verdade elas estão vivas e presas em Nova York.





domingo, 10 de novembro de 2013

[Dica do Dias] DENNIS YOST & CLASSICS IV Song

Dennis Yost começou como baterista e depois passou à ser a voz do Classics IV. Morreu em 2008, aos 65 anos. Ele e banda chegaram ao Top #3 na América com o hit "Stormy". O álbum abaixo, achei esta semana num Sebo, foi lançado por aqui em 1973. 





quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Som do Dias

"A Capella" ou não, um ou mais instrumentos. Pode durar alguns segundos, um minuto, três, quatro, dez, não importa. Pode estar num LP, num CD, numa fita cassete - ou seja - em qualquer mídia, pode estar até contida num sonho.

Pode ser pesada ou leve, rápida ou lenta, simples ou sofisticada, triste ou alegre, romântica ou não. Pode parecer com algo que já foi feito ou ser original, pode ter sido feita ontem ou há 60 anos, não interessa.

Se ela te tocar lá dentro, pronto, aonde e em que situação você estiver - enquanto ela durar - tudo ao seu redor fica perfeito. É isso que este blog está sempre atrás, em cada post !!!



terça-feira, 5 de novembro de 2013

[Dica do Dias] SPRING Sweet Mountain / Good Time

Compacto 7 polegadas - lançado no Brasil - de uma banda americana chamada Spring, homônima de outra (inglesa) de rock progressivo.



Este é um projeto do gênio Brian Wilson, sua esposa (na época) e a irmã dela, idealizado na época em que Brian estava mergulhado no projeto Smile. Lançaram um álbum de 1972, que hoje é peça de colecionador. 

Segue a faixa (lado 1) que está no compacto 


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

As Lojas e os Elepês Santistas

Você já deve ter ouvido por aí que o disco de vinil, sim o velho e tradicional LP, voltou. Daqui de casa, em todo este período em que foi decretada sua morte, eles nunca saíram, pelo contrário, continuaram chegando, e em massa.
            Quando comecei a comprar discos, isso no início dos anos 80, Santos era recheada de opções. Havia as tradicionais, que comercializavam somente itens novos, e também começavam a surgir lojas especializadas em trocas e vendas de usados.
            No centro da cidade, A Musical dispunha de um grande acervo, assim como a Marimba.  No Gonzaga tínhamos à disposição várias lojas da Ópus, além delas a DJ Ferrs, a Metal Rock e a Amsterdam. Um pouco mais adiante, em frente ao Colégio São José, ficava a Tremendão, dona de um belíssimo acervo. Já no Super Centro do Boqueirão a opção era a Freedom.
            Até nos hipermercados era possível encontrar bons discos. O Eldorado, na Conselheiro Nébias, era bem abastecido, e na avenida da praia chegando no Canal 1, o Jumbo Eletro oferecia boa quantidade de vinis. 
            Dentre as lojas que aceitavam trocas, tínhamos a Disqueria, que teve seu primeiro endereço na Sampaio Moreira (paralela ao Canal 5), depois se transferindo para a esquina da Goiás com o Canal 3. Já na galeria da Epitácio Pessoa, situado na sobreloja de uma Imobiliária, era possível fazer bons negócios na Teia de Aranha, e próximo ao Canal 2 na Euclides da Cunha, a alternativa era a Cassetes & Bolachas.
            Hoje restam apenas quatro opções. Temos a Disqueria que se mudou recentemente para a Conselheiro Nébias, na quadra da praia, a Blaster na Galeria Ipiranga, ao lado do Shopping Balneário, a Sound of Fish situada na Floriano Peixoto perto do Shopping Miramar, e o Sebo São Jorge na esquina do Canal 2 com a Pedro Américo.
            Aproveitando o assunto, vale registrar as bandas de rock genuinamente santistas que chegaram a gravar na “época” do vinil. Primeiro, o Blow Up com dois álbuns, um 1969 e outro em 1971, além de três compactos. Em seguida, tivemos o Recordando o Vale das Maçãs com um LP em 1973 e um compacto em 1982. Poucos anos depois, em 1986, um dos integrantes da banda, o Fernando Pacheco, também gravou um álbum solo.
            Entre 1985 e 1990 quem teve uma série de registros foi o Vulcano, eles gravaram 5 álbuns e um compacto. No final da década de 80 foi à vez do Harry, a banda gravou um EP em 1987 e dois álbuns (1988 e 1990). No início dos anos 90, perto do “final” do vinil, o Mr. Green e o Last Joker deixaram seus registros, com um detalhe: ambos gravaram por um selo nascido aqui em Santos, a M Rock, comandada por Pepe Macia.  - por Sérgio Dias

** Este texto também foi publicado no site  "Era Uma Vez em Santos" criado pro Gabriel Davi Pierin - http://www.eraumavezemsantos.com.br/

Disqueria

Marimba

Blaster

LP do Mr. Green

EP do Harry

LP do Blow Up